Ooooi! Olha só, você por aqui a essa hora. Nessa rua, com esse vestido florido, provavelmente voltando daquele espetáculo no teatro. Aquele espetáculo de pessoas bem floridas e você naturalmente mais que todas elas. E, nossa, é tão bom te ver, rever, você sabia disso não? E sabia que também não poderia ter sido assim, que eu deveria ter atravessado a rua quando avistei de longe toda essa aura florida tamanha essa hora, tamanha essa rua. Eu te ver, tudo bem, mas você me ver.
Ver esse eu que afinal, não sou eu, eu, assim. Não o eu mais sociável que tenho. Um eu que parece ter voltado de uma corrida lá na Doca e de uma queda em uma corrida lá na Doca. Um eu que levou uma baforada de vento no rosto e no cabelo, após ter ficado bem atrás de um trio de homens gordos que fumavam e gargalhavam. Tanto suor e tanto cheiro enjoativo de fumaça e boemia mal acabada não são necessariamente eu.
É apenas um eu, um. Se passares lá no meu trabalho às 8h30, 8h40 de uma terça ou quarta e lá sim, estarei um eu muito mais sociável, socioaceitável, sentado na minha cadeira, envolto pelo ar frio da central, pela falta de ação da rotina. Mas, até lá, por que não esquecemos que você me viu?? Simplesmente esqueça, esse segundo encontro casual, pra que lembrar ou remoer essa imagem? É tão melhor.
Você esquecer que me viu e não perguntar se a recíproca será verdadeira. Porque provavelmente eu irei ser quase atropelado no mínimo três vezes até chegar em casa, olhando pro alto como se isso fizesse algum sentido ou efeito. Provavelmente você irá aparecer no meu sonho às 6h30, e eu irei acordar às 6h35, logo quando o navio iria zarpar pra Nova Zelândia, o nosso navio. E provavelmente eu sentarei na mesa de café da manhã com o ar abobalhado e encherei a xícara de café - apesar de ter parado de tomar café – para então me queimar pra valer com o café quente e pensar em como você estaria tão longe dormindo serena com esse seu rosto de “tudo bem, tudo bem”.
Pensar que você acordaria com esse mesmo rosto e cabelos cacheados do dia que conheci você às 10h com um puta sol de 10h e você numa espécie de golpe marcial-comportamental fazia o mínimo de vento que existia em um raio de 5 km bater bem no lado do seu cabelo, os cachos tremulavam e alguns poucos raios de sol revelavam seu rosto, sem excesso. Sem excesso.
Esqueça então, por favor, que por aqui está cada vez mais difícil de esquecer.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Um outro alguém, quem sabe
Um pouco além, quem sabe,
é o necessário para alçar,
voo e volta que preciso, ou imprecisa pode até ser,
Ter porto de descanso, porta pra cura desse acanho,
... um outro alguém...quem sabe, saberia tão simples tanto fazer?
Se não eu que sinto, vivo e me aturo?,
na felicidade, na certeza e no inseguro
nos dias-que-dias de documentos e atenção,
olha o sinal,!, olha a mão,!, a direção,!
o futuro,..., furta o presente,
olha tudo e fica pra ti, não larga, não perde,
a vida é tanta e tanto queres,
e quanto precisas, ?, já nem sei,
um outro alguém,...quem sabe...,
Saberá dizer...
E o certo é o aguardo, a maré?,
ou com um tanto de fé e ilusão correr até chegar,
cair, limpar terra do rosto, levantar, pulsar.....(...).....ou será levitar,
leve ser e se esconder em si,
até o acaso escolher qual maré.
Um outro alguém, quem será....? sabe lá...
aqui, saberá mostrar......
é o necessário para alçar,
voo e volta que preciso, ou imprecisa pode até ser,
Ter porto de descanso, porta pra cura desse acanho,
... um outro alguém...quem sabe, saberia tão simples tanto fazer?
Se não eu que sinto, vivo e me aturo?,
na felicidade, na certeza e no inseguro
nos dias-que-dias de documentos e atenção,
olha o sinal,!, olha a mão,!, a direção,!
o futuro,..., furta o presente,
olha tudo e fica pra ti, não larga, não perde,
a vida é tanta e tanto queres,
e quanto precisas, ?, já nem sei,
um outro alguém,...quem sabe...,
Saberá dizer...
E o certo é o aguardo, a maré?,
ou com um tanto de fé e ilusão correr até chegar,
cair, limpar terra do rosto, levantar, pulsar.....(...).....ou será levitar,
leve ser e se esconder em si,
até o acaso escolher qual maré.
Um outro alguém, quem será....? sabe lá...
aqui, saberá mostrar......
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Na mochila
Na mochila levei três camisas - uma pra 10h de sol, outra para os 30 minutos de banho de chuva, outra pra 8h de sono - três bermudas, três cuecas, uma sunga, uma toalha, três pacotes de miojo e mantimentos de higiene pessoal e bom convívio social. A mala ficou cheia, como se fosse para não voltar tão cedo. Com uma das alças solta, tive que segurar a mochila com as mãos para que ela não caísse para um lado. Imagino que fiquei com um ar de menino-moço que carrega firmemente sua vida estudantil atrás das costas e cantarola mentalmente uma canção qualquer e pensa no seu amor platônico de 2 anos.
Na mochila, levei tudo amontado e dobrado em três compartimentos. dois ficaram vazios. Sem o toque de mãe, que conseguiria distribuir tudo aquilo em metade do espaço e ainda colocaria mais três toalhas, duas camisas, dois pacotes de bolacha e um protetor solar para eu não usar, mas me sentir preparado para as bombações do verão.
Na mochila não levei mutas cores, porque as camisas bermudas cuecas sungas são no geral sóbrias, cinzas, pretas. Não levei passaporte porque não tenho coragem para seguir suas possibilidades. Não levei bússola porque minhas andanças sempre seguem os passos de outros tantos e isso me deixa um tanto frustrado. Não levei o abraço de despedida de pai e mãe porque eles não estavam lá para arrumar a minha mochila. Não levei uma foto daquela moça, porque não tenho. Não levei a saudade dela, porque teria que tirar todas as roupas, acessórios e comidas, comprar outra mochila e pegar um saco de plástico para caber tudo.
Na mochila levei, além de tudo, os sonhos de uma vida aventureira que nunca tive. Só tenho a mochila. Ela me faz andar com um semblante de dor nas costas e cansaço resignado, típico das pessoas que rodam as esquinas do mundo sem querer passar duas vezes pelo mesmo ponto.
A mochila é o que tenho de uma geração que não vivi, de um país que não conheci, de ideiais que sempre compartilhei por coincidência. E quem sabe ande ande ande até encontrar o que eles encontraram depois de tanto andar. E se ainda tiver forças, quem sabe ande ande ande mais para encontrar o que eles não encontraram depois de parar.
Na mochila, levei tudo amontado e dobrado em três compartimentos. dois ficaram vazios. Sem o toque de mãe, que conseguiria distribuir tudo aquilo em metade do espaço e ainda colocaria mais três toalhas, duas camisas, dois pacotes de bolacha e um protetor solar para eu não usar, mas me sentir preparado para as bombações do verão.
Na mochila não levei mutas cores, porque as camisas bermudas cuecas sungas são no geral sóbrias, cinzas, pretas. Não levei passaporte porque não tenho coragem para seguir suas possibilidades. Não levei bússola porque minhas andanças sempre seguem os passos de outros tantos e isso me deixa um tanto frustrado. Não levei o abraço de despedida de pai e mãe porque eles não estavam lá para arrumar a minha mochila. Não levei uma foto daquela moça, porque não tenho. Não levei a saudade dela, porque teria que tirar todas as roupas, acessórios e comidas, comprar outra mochila e pegar um saco de plástico para caber tudo.
Na mochila levei, além de tudo, os sonhos de uma vida aventureira que nunca tive. Só tenho a mochila. Ela me faz andar com um semblante de dor nas costas e cansaço resignado, típico das pessoas que rodam as esquinas do mundo sem querer passar duas vezes pelo mesmo ponto.
A mochila é o que tenho de uma geração que não vivi, de um país que não conheci, de ideiais que sempre compartilhei por coincidência. E quem sabe ande ande ande até encontrar o que eles encontraram depois de tanto andar. E se ainda tiver forças, quem sabe ande ande ande mais para encontrar o que eles não encontraram depois de parar.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Procura-se uma sacada
Saquei um dia, olhando pro alto. E pra dentro. Uma sacada: era o que me faltava para ser feliz.
No meu apartamento não tem sacada(s), ele gira-sala-banheiro-corredor-cozinha-cachorro no caminho-corredor-quartos-banheiro-sala. A volta termina meio quadrada, naquela arquitetura que deve ter uns 40 anos - época em que montar numa lembreta era um puta trip, broto.
O fato é que saquei que é bem mais fácil se ter grandes sacadas quando se tem uma sacada, saca?
Por isso que os filmes europeus têm todo aquele ar de intelectualidade descomprometida, natural, só um suspiro entre a pornografia soft e a mais conceituada reflexão existencialista. Nesses filmes, corta a cena, tá lá: a sacada. É lá que os personagens fumam, geralmente com cara de pós-coito mal resolvido ou picolé-de-chuchu, olhando para o nada, enquanto narram o futuro num insight super bem fotografado.
A sacada é também o caminho mais curto para o suicídio nos filmes de terror e drama japonês. Bem mais prático do que ter que subir até o terraço, cortar os pulsos, ter convulsões com um especial de Pokemon, coisas do tipo. E sabe como japoneses são propensos a essas coisas curtas e práticas...tipo os celulares, pô
Mas eu não, na minha casa não. Qualquer dia desses a senhora do apartamento ao lado manda fazer uma sacada, só pra colocar uns vasinhos, chamar umas senhoras miguxas para jogar dominó, ficar com frio e ir pra dentro da sala. E depois nunca mais ir lá.
E eu que preciso de uma sacada urgentemente, nada. Eu que preciso colocar um banquinho lá e esperar. Eu sei que a chuva vai surgir lá da esquina, vindo na minha direção, me fitando e desafiando. E eu vou continuar na sacada, no banquinho, fechar os olhos quando as primeiras gotas baterem na minha testa, e continuar.
Eu preciso de uma sacada para não poder fechar as janelas para a chuva, nem para o mundo.Eu preciso sacar as coisas da vida de novo, e rápido. Depois da chuva, quem sabe, eu fume um cigarro molhado e apagado e tenha um super insight em francês. Com legendas.
No meu apartamento não tem sacada(s), ele gira-sala-banheiro-corredor-cozinha-cachorro no caminho-corredor-quartos-banheiro-sala. A volta termina meio quadrada, naquela arquitetura que deve ter uns 40 anos - época em que montar numa lembreta era um puta trip, broto.
O fato é que saquei que é bem mais fácil se ter grandes sacadas quando se tem uma sacada, saca?
Por isso que os filmes europeus têm todo aquele ar de intelectualidade descomprometida, natural, só um suspiro entre a pornografia soft e a mais conceituada reflexão existencialista. Nesses filmes, corta a cena, tá lá: a sacada. É lá que os personagens fumam, geralmente com cara de pós-coito mal resolvido ou picolé-de-chuchu, olhando para o nada, enquanto narram o futuro num insight super bem fotografado.
A sacada é também o caminho mais curto para o suicídio nos filmes de terror e drama japonês. Bem mais prático do que ter que subir até o terraço, cortar os pulsos, ter convulsões com um especial de Pokemon, coisas do tipo. E sabe como japoneses são propensos a essas coisas curtas e práticas...tipo os celulares, pô
Mas eu não, na minha casa não. Qualquer dia desses a senhora do apartamento ao lado manda fazer uma sacada, só pra colocar uns vasinhos, chamar umas senhoras miguxas para jogar dominó, ficar com frio e ir pra dentro da sala. E depois nunca mais ir lá.
E eu que preciso de uma sacada urgentemente, nada. Eu que preciso colocar um banquinho lá e esperar. Eu sei que a chuva vai surgir lá da esquina, vindo na minha direção, me fitando e desafiando. E eu vou continuar na sacada, no banquinho, fechar os olhos quando as primeiras gotas baterem na minha testa, e continuar.
Eu preciso de uma sacada para não poder fechar as janelas para a chuva, nem para o mundo.Eu preciso sacar as coisas da vida de novo, e rápido. Depois da chuva, quem sabe, eu fume um cigarro molhado e apagado e tenha um super insight em francês. Com legendas.
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